Brasil lidera ranking mundial de cirurgias plásticas e reforça debate sobre segurança e planejamento dos procedimentos
Relatório internacional aponta mais de 2 milhões de cirurgias no país e especialista destaca a importância da avaliação individualizada
O Brasil ocupa atualmente a liderança global em cirurgias plásticas, de acordo com levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). O dado reforça não apenas a forte cultura de cuidados estéticos no país, mas também acende um alerta para a importância da realização desses procedimentos com segurança, planejamento e acompanhamento médico adequado.
Segundo o relatório, o país realizou mais de 2 milhões de cirurgias plásticas em 2024, ultrapassando outras nações tradicionalmente associadas ao setor e consolidando sua posição como referência mundial na área. Além disso, o Brasil aparece em segundo lugar no ranking de procedimentos não cirúrgicos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
O crescimento da demanda acompanha uma tendência global. No mundo, foram registrados mais de 17,4 milhões de procedimentos cirúrgicos e mais de 20,5 milhões não cirúrgicos no mesmo período, com aumento expressivo nos últimos anos. Entre as cirurgias mais realizadas no Brasil estão a lipoaspiração, o aumento de mamas, a cirurgia de pálpebras e a abdominoplastia, refletindo a diversidade de buscas estéticas no país.
Esse cenário ainda está relacionado a fatores culturais, sociais e tecnológicos. O avanço das técnicas, a maior divulgação de resultados e a influência das redes sociais têm contribuído para a popularização dos procedimentos, ampliando o acesso e o interesse da população.
Segundo o cirurgião plástico Luis Fernando de Mattos, mestre em cirurgia plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o crescimento do número de procedimentos exige ainda mais responsabilidade na indicação. “O Brasil tem excelência técnica reconhecida mundialmente, mas é fundamental que cada cirurgia seja indicada de forma criteriosa, respeitando os limites do corpo e as condições de saúde do paciente”, explica.
O profissional destaca que, apesar dos avanços, a cirurgia plástica não deve ser encarada como uma solução simples ou imediata. “Todo procedimento envolve riscos e precisa ser planejado. A avaliação médica detalhada, o preparo adequado e o acompanhamento no pós-operatório são etapas essenciais para garantir segurança e bons resultados”, afirma.
Outro ponto importante é o perfil dos pacientes, que tem se diversificado ao longo dos anos. Embora as mulheres ainda sejam maioria, cresce o número de homens que buscam procedimentos estéticos, além de pacientes mais jovens interessados em intervenções precoces.
“O mais importante é alinhar expectativa e realidade. Nem sempre o que o paciente deseja é o mais indicado do ponto de vista médico. Por isso, o diálogo transparente é fundamental para um resultado satisfatório e seguro”, ressalta Luis Fernando de Mattos.
Além da estética, muitos procedimentos também têm impacto funcional e emocional, contribuindo para a autoestima e a qualidade de vida. No entanto, especialistas reforçam que a decisão deve ser consciente e baseada em informação confiável.
Com o Brasil consolidado como líder mundial em cirurgias plásticas, o desafio passa a ser garantir que esse crescimento seja acompanhado de responsabilidade, ética e foco na saúde do paciente. “A cirurgia plástica pode trazer benefícios importantes, mas precisa ser vista como um ato médico sério, que exige preparo, experiência e humanização. A segurança deve sempre vir em primeiro lugar”, conclui Luis Fernando de Mattos.
(Foto: Imagem produzida por IA)
