Febrofobia: Medo excessivo da febre pode mascarar o avanço de doenças respiratórias graves em crianças
Especialista em pneumologia pediátrica alerta sobre o uso indiscriminado de anti térmicos e ensina quando o termômetro indica a hora exata de correr para o hospital
A chegada dos dias mais frios e a consequente alta na circulação de vírus respiratórios trazem de volta um fantasma frequente nos lares com crianças: a febre. Considerada uma das principais causas de idas desesperadas aos prontos-socorros, a elevação da temperatura corporal ainda gera um fenômeno que a medicina classifica como “febrofobia” — o pavor excessivo que faz pais medicarem os filhos ao menor sinal de variação no termômetro, muitas vezes sem critério.
No entanto, a pediatra Dra. Greter Fernandez, especialista em Pré-Natal e Pneumologia Pediátrica, esclarece que a febre, isoladamente, não é uma doença, mas sim um importante sinal de defesa do organismo. “A febre é o corpo avisando que o sistema imunológico está ativo e combatendo um invasor. Quando os pais correm para zerar a temperatura a qualquer custo, eles podem estar mascarando a evolução de um quadro e retirando um mecanismo natural de defesa da criança”, explica a especialista.
O perigo de mascarar o alerta respiratório
O grande perigo do combate implacável e precoce à febre, segundo a médica, é o atraso no diagnóstico de infecções que exigem intervenção rápida, como a bronquiolite e a pneumonia. Especialmente nesta época do ano, o comportamento da criança vale muito mais do que o número que aparece no visor do termômetro.
“Mais importante do que a temperatura em si, é observar como a criança se comporta quando a febre cede após o antitérmico. Se o termômetro baixar e ela voltar a brincar, interagir e se alimentar, a situação costuma ser de menor gravidade. Porém, se mesmo sem febre a criança se mantiver prostrada, irritada, ou apresentar cansaço e esforço visível para respirar, o alerta vermelho precisa ser aceso imediatamente”, adverte a Dra. Greter.
Sinais de que é a hora de ir ao pronto-socorro
Para guiar as famílias e evitar tanto a automedicação perigosa quanto a ida desnecessária a hospitais superlotados — locais onde a criança saudável corre o risco de contrair novos vírus —, a pneumologista pediátrica elenca os sinais clássicos de que a febre está associada a uma complicação respiratória:
– Cansaço e esforço respiratório: Respiração muito rápida (taquipnéia), afundamento entre as costelas (tiragem intercostal) ou a famosa “batedeira” na base do pescoço e abdômen.
– Recusa alimentar total: Dificuldade para mamar ou engolir líquidos, o que pode levar rapidamente à desidratação.
– Febre persistente: Temperatura alta que não cede ou que retorna sistematicamente por mais de 72 horas consecutivas.
A preparação começa no Pré-Natal
O entendimento sobre o manejo da febre e dos primeiros sintomas respiratórios é um conhecimento que deve ser adquirido antes mesmo do nascimento. A Dra. Greter Fernandez ressalta que o acolhimento e a educação em saúde logo nas consultas de pré-natal pediátrico são fundamentais para construir a segurança que os pais precisam nos momentos de crise.
“Um recém-nascido com febre nos primeiros três meses de vida é uma emergência médica absoluta e exige avaliação imediata. Já uma criança maiorzinha, com bom estado geral, pode ser observada em casa nas primeiras 24 a 48 horas. É no pré-natal e na puericultura dedicada do primeiro ano que empoderam os pais com essa diferenciação, blindando a família contra o desespero”, pontua a pediatra.
Sobre a pediatra Greter Fernandez:
Aos 5 anos de idade, vestida com um avental verde e uma touca maior que ela, a pequena Greter entrou em uma Unidade Neonatal para visitar sua irmã prematura. Aquele dia não foi apenas um registro de infância; foi o momento em que ela decidiu que dedicaria a vida à medicina. Natural de Cuba, a Dra. Greter Fernandez chegou ao Brasil em 2014 pelo Programa Mais Médicos e, desde então, fez de São Paulo — especificamente do Tatuapé — o seu lar e campo de missão. Com 38 anos e uma trajetória marcada pelo rigor acadêmico e pela sensibilidade, ela une a experiência da pediatria geral à especialização em pneumologia pediátrica. Sua atuação vai desde o acolhimento no pré-natal e a puericultura dedicada no primeiro ano de vida, até o acompanhamento de crianças com condições crônicas como asma e dermatite. Para ela, a medicina é baseada em evidências, mas o atendimento é baseado no afeto — aquele mesmo que sente pelo sobrinho, a grande paixão de sua vida.
(Foto: Divulgação)
