Ansiedade e depressão entre jovens atingem níveis alarmantes e acendem alerta para a saúde mental
Especialista explica os fatores por trás do aumento dos transtornos emocionais e reforça a importância do diagnóstico e do tratamento precoces.
A ansiedade e a depressão deixaram de ser problemas restritos à vida adulta e passaram a afetar um número cada vez maior de adolescentes e jovens. O crescimento dos casos tem preocupado especialistas e reforçado a necessidade de ampliar o debate sobre saúde mental, especialmente em uma geração que enfrenta excesso de estímulos, pressão por desempenho e dificuldades para lidar com as próprias emoções.
Segundo o médico Dr. Marcos Adriano, especialista em saúde mental, a realidade observada nos consultórios reflete uma mudança importante no perfil dos pacientes.
“Estamos recebendo cada vez mais adolescentes e jovens adultos com sintomas intensos de ansiedade, crises de pânico, depressão, alterações do sono e sofrimento emocional significativo. Muitos chegam ao atendimento após meses, ou até anos, convivendo com sintomas que foram minimizados, acreditando que estão apenas ‘cansados’ ou ‘estressados’, quando, na verdade, já apresentam critérios para um transtorno de ansiedade ou depressão”, explica.

Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão o uso excessivo das redes sociais, a privação do sono, a comparação constante com padrões irreais, a pressão acadêmica e profissional, além das incertezas em relação ao futuro. A pandemia também deixou impactos importantes na saúde emocional dessa geração, aumentando sentimentos de isolamento, insegurança e dificuldade de socialização.
“O cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento. Quando ele é exposto continuamente ao estresse, à cobrança e à necessidade de aprovação, torna-se mais vulnerável ao surgimento de transtornos mentais. Não podemos normalizar o sofrimento psicológico como se fosse apenas uma fase”, destaca o especialista.
Outro desafio é identificar os sinais precocemente. Irritabilidade constante, isolamento social, queda no rendimento escolar, alterações no sono, mudanças no apetite, perda de interesse por atividades antes prazerosas e dificuldade de concentração podem indicar que algo não está bem.
De acordo com o Dr. Marcos Adriano, buscar ajuda especializada logo nos primeiros sintomas aumenta significativamente as chances de recuperação e evita que o quadro evolua para formas mais graves.
“Ansiedade e depressão têm tratamento. Quanto mais precoce for a intervenção, melhores tendem a ser os resultados. O acolhimento da família, da escola e da rede de apoio faz toda a diferença para que esse jovem se sinta seguro para pedir ajuda.”
O especialista também ressalta que investir em prevenção é tão importante quanto tratar a doença. Incentivar hábitos saudáveis, limitar o tempo de exposição às telas, fortalecer vínculos familiares, promover a prática de atividades físicas e criar espaços de diálogo são estratégias capazes de proteger a saúde mental desde a infância.
Para o médico, romper o estigma em torno dos transtornos mentais é um dos maiores desafios da atualidade. Falar sobre saúde mental de forma responsável contribui para que mais jovens sejam identificados precocemente e recebam o suporte necessário antes que o sofrimento comprometa sua qualidade de vida, seus relacionamentos e seu desenvolvimento pessoal e profissional.
“Cuidar da saúde mental não significa eliminar todas as dificuldades da vida, mas desenvolver recursos para enfrentá-las antes que o sofrimento comprometa o futuro. Quanto mais cedo o jovem recebe ajuda, maiores são as chances de recuperação, preservando sua qualidade de vida e reduzindo o risco de agravamento dos sintomas”, finaliza o Dr. Marcos Adriano.
Sobre o especialista
O Dr. Marcos Adriano é médico especialista em saúde mental e atua no diagnóstico e tratamento dos transtornos psiquiátricos em adolescentes, adultos e idosos. Seu trabalho é pautado em uma abordagem humanizada, baseada em evidências científicas e voltada para a promoção da qualidade de vida, reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado integral com a saúde mental.
(Fotos: Arquivo Pessoal)
