Tempo seco, fumaça e calor aumentam o desconforto nos olhos; especialista orienta sobre os cuidados
Baixa umidade, altas temperaturas e exposição à fumaça das queimadas podem agravar sintomas como ardência, vermelhidão e sensação de areia nos olhos
O período de estiagem exige cuidados não apenas com a hidratação do corpo, mas também com a saúde dos olhos. A combinação entre baixa umidade do ar, altas temperaturas, poeira e fumaça de queimadas pode aumentar a irritação e o ressecamento da superfície ocular, provocando sintomas como ardência, vermelhidão, coceira e sensação de areia nos olhos.
O cenário climático também merece atenção nos próximos meses. Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), o trimestre de agosto a outubro indica temperaturas acima da média em grande parte do país e condições de chuva abaixo da média em áreas do Centro-Norte. O cenário favorece ondas de calor e a ocorrência de incêndios florestais.
De acordo com o oftalmologista Francisco Lima, especialista em glaucoma e catarata, o calor e a baixa umidade interferem diretamente na proteção natural dos olhos.
“No período seco, a lágrima evapora mais rapidamente. Quando associamos a baixa umidade ao calor, à poeira e à fumaça das queimadas, a superfície dos olhos fica mais exposta à irritação. Por isso, sintomas como ardência, vermelhidão, sensação de areia e visão borrada podem se tornar mais frequentes.”

Fumaça e poeira podem agravar a irritação
Além do ressecamento provocado pelo clima, a exposição à fumaça das queimadas representa outro fator de risco para a saúde ocular. As partículas presentes no ar podem entrar em contato com a superfície dos olhos e aumentar processos irritativos e inflamatórios.
O Ministério da Saúde destaca que secas, queimadas, temperaturas extremas e poluição atmosférica afetam diretamente a saúde ocular, podendo provocar crises severas de olho seco e conjuntivite. Crianças, idosos, pessoas com doenças preexistentes e trabalhadores expostos ao ar livre estão entre os grupos de maior vulnerabilidade.
Para Francisco Lima, a fumaça merece atenção principalmente entre pessoas que já apresentam alguma alteração ocular.
“A fumaça contém partículas e substâncias irritantes que entram em contato diretamente com os olhos. Em quem já tem olho seco, alergia ou alguma inflamação ocular, essa exposição pode intensificar bastante o desconforto e a irritação.”
O especialista explica ainda que a permanência de um cenário mais quente e seco amplia o período de exposição aos agentes irritantes.
“Quando o período seco se prolonga, aumenta também o tempo de contato dos olhos com baixa umidade, poeira e poluentes. Para quem já apresenta olho seco, isso pode significar sintomas mais frequentes e necessidade de cuidados constantes.”
Cuidados simples ajudam a preservar a saúde ocular
Algumas medidas podem reduzir o desconforto durante os períodos de baixa umidade:
*Evitar a exposição prolongada à fumaça e à poeira.
*Não manter ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado direcionados diretamente para o rosto.
*Fazer pausas frequentes durante o uso de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos.
*Reforçar a ingestão diária de água.
*Já o uso de colírios lubrificantes deve ser avaliado individualmente. O Ministério da Saúde orienta a população a reduzir a exposição à fumaça durante episódios de incêndios e seguir as recomendações das autoridades de saúde.
“É importante evitar a exposição direta à fumaça e à poeira, além de não manter ventilador ou ar-condicionado direcionado para os olhos. Quando existe ressecamento persistente, o ideal é procurar avaliação oftalmológica para identificar a causa e definir o tratamento adequado”, orienta Francisco Lima.
O médico também recomenda atenção aos sinais que fogem de um simples desconforto causado pelo clima. Dor intensa, secreção, vermelhidão persistente, sensibilidade exagerada à luz ou qualquer alteração súbita na visão devem ser avaliadas imediatamente por um especialista.
“Ardência ou sensação de ressecamento podem aparecer durante o tempo seco, mas sintomas intensos ou persistentes não devem ser banalizados. Principalmente quando existe dor ou alteração da visão, é importante procurar atendimento para investigar o quadro.”
(Crédito: Higor Braga)
