“Mas eu venho te encontrar”: vínculo entre Dani de Brito e jovem leitora atravessa edições da Bienal do Livro
Em meio aos dez dias de programação da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, um reencontro resumiu para a escritora Dani de Brito o impacto que uma história pode ter na vida de uma criança.
“A Bienal Internacional de São Paulo durou 10 dias e, a cada um desses dias, foram vários momentos especiais que estão guardados no meu coração. Mas teve um encontro, um reencontro, que eu não vou esquecer”, relata.
A história começou duas edições atrás, quando uma menina chamada Letícia comprou um de seus livros. Na edição seguinte, a jovem leitora escolheu justamente o dia em que Dani estaria no evento para procurá-la. Neste ano, já com 10 anos, voltou novamente para encontrar a escritora.
“Tem uma garotinha que chama Letícia. Ela comprou um livro há duas bienais atrás. Na Bienal passada, ela foi à Bienal no dia que eu estava para me encontrar. A emoção foi muito grande, tanto dela quanto minha. E dessa vez não foi diferente. Ela foi à Bienal no dia que eu estava pra me encontrar”, conta Dani.

O momento mais simbólico aconteceu na despedida. Ao perceber o crescimento da menina, Dani comentou: “Letícia, na próxima você vai ser uma mocinha”. A resposta veio de forma imediata: “Mas eu venho te encontrar”.
“Isso foi, pra mim, muito especial”, completa a autora.
O reencontro com Letícia não foi o único indicativo da conexão criada entre os livros de Dani e o público. Durante o evento, crianças, famílias e muitos educadores procuraram a escritora e os títulos apresentados no estande da Transformar Editora.

Um dos principais destaques foi “Lápis cor de pele?”, obra que recebeu grande procura, especialmente entre profissionais da educação interessados em abordar a diversidade com as crianças.
O livro apresenta Ana, uma menina que se surpreende quando um colega pede um “lápis cor de pele”. A partir dessa situação, ela passa a observar melhor as pessoas e percebe que não existe uma única cor capaz de representar todos os tons de pele. A narrativa aborda diversidade, inclusão, identidade e autopercepção por meio do olhar curioso da infância.

A busca dos educadores pela obra mostra que a literatura infantil também ocupa um espaço importante nas conversas realizadas dentro das escolas. Sem oferecer respostas prontas, histórias como essa permitem que crianças observem o mundo, façam perguntas e construam suas próprias percepções sobre as diferenças.
Autora, ilustradora e educadora, Dani de Brito possui mais de 35 títulos publicados. Sua experiência na Bienal mostrou duas dimensões do trabalho literário: a capacidade de abrir conversas necessárias e a criação de vínculos que permanecem ao longo dos anos.
A promessa de Letícia de voltar para encontrá-la na próxima edição transforma a relação entre autora e leitora em uma história que segue sendo escrita fora das páginas.
(Crédito: HI assessoria/Luizspirandelli)
