Fábrica de Gigantes realiza 2ª edição do Festival Quilombo Cultural na Ilha da Marambaia
Festival promove encontro entre comunidades quilombolas, caiçaras e jongueiras do Sudeste e reafirma a cultura como instrumento de preservação da memória, fortalecimento territorial e continuidade dos saberes tradicionais
Depois de realizar sua primeira edição em 2024, o Festival Quilombo Cultural retorna à Ilha da Marambaia, em Mangaratiba (RJ), nos dias 31 de outubro e 1º de novembro de 2026, ampliando uma iniciativa dedicada à valorização das culturas quilombolas, caiçaras e afro-brasileiras. Realizado pela Fábrica de Gigantes, o projeto promove o encontro entre mestres e mestras de tradição oral, grupos jongueiros, comunidades tradicionais e novas gerações, criando espaços de troca, celebração e transmissão de saberes.
Localizada na Costa Verde, a Ilha da Marambaia é um território ancestral que reúne características singulares das tradições quilombolas e caiçaras. Realizar o festival nesse território também assume um caráter simbólico e estratégico diante das disputas fundiárias e das ameaças de remoção enfrentadas pela comunidade. A proposta é reunir grupos do Vale do Café, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro e Marambaia, fortalecendo vínculos e conexões A segunda edição volta a ocupar a Marambaia com uma programação de dois dias que reúne oficinas, cultura pernalta, jongo, samba de roda, culinária quilombola, turismo histórico e atividades de celebração e encontro comunitário.
A programação tem como um de seus principais objetivos fortalecer as expressões culturais afro-brasileiras e promover o intercâmbio entre grupos jongueiros e coletivos artísticos periféricos do Sudeste. A expectativa é mobilizar cerca de 300 participantes e receber um público estimado de 600 pessoas ao longo dos dois dias, entre moradores da Ilha da Marambaia, quilombolas, caiçaras, comunidades tradicionais vizinhas e público externo.

Fábrica de Gigantes: arte, território e cultura pernalta
Criada a partir da trajetória da artista, produtora cultural, educadora e diretora artística Raquel Potí, a Fábrica de Gigantes desenvolve projetos que têm a arte e a cultura popular como ferramentas de aproximação entre pessoas, territórios e diferentes formas de conhecimento. Seu trabalho parte especialmente da cultura pernalta, linguagem que utiliza pernas de pau para criar experiências artísticas que ocupam as ruas, festas populares, carnavais, projetos culturais e espaços comunitários, fortalecendo redes e comunidades.
Dois dias de encontros e saberes
O primeiro dia do festival, 31 de outubro, será dedicado às oficinas formativas conduzidas por mestres e mestras de diferentes territórios. A programação reúne Memórias e Vivências do Quilombo da Marambaia; Oficina de Criação Artesanal com Conchas; Práticas Tradicionais da Pesca Artesanal: remendo de redes; e Oficina de culinária Quilombola: Beneficiamento do café.

As atividades têm entrada gratuita e foram pensadas como espaços de compartilhamento de práticas culturais, conhecimentos ancestrais e memórias que atravessam as comunidades. O jongo aparece como prática afro-brasileira de música, dança e oralidade; o samba de roda como expressão musical de raiz afro-brasileira; o turismo histórico como ferramenta de mediação territorial e valorização da memória da Marambaia; as ervas medicinais como transmissão de saberes ancestrais de cura; e a culinária quilombola como espaço de preservação das memórias alimentares negras, originárias, caiçaras.
Já o segundo dia, 1º de novembro, amplia o encontro entre os grupos participantes e o público, dando continuidade à proposta de celebração e intercâmbio cultural do festival.
Entre os grupos jongueiros convidados estão Jongo da Serrinha, Bracuí, Filhos da Marambaia, e Jongo do Quilombo São José da Serra. Entre os grupos pernaltas estão Gigantes de Pedra, Gigantes de Mangaratiba, Gigantes da Penha e Gigantes Sonhadores, reunindo representantes de diferentes territórios.

Reconectar territórios para preservar saberes
Um dos pilares do Festival Quilombo Cultural é a criação de espaços de aproximação entre os saberes de origem e as novas gerações. O projeto propõe fortalecer a transmissão cultural a partir daqueles que mantêm essas práticas vivas em seus territórios.
Nesse processo, mestres e mestras de tradição oral ocupam papel central, como referências vivas responsáveis pela continuidade desses conhecimentos. Oficinas, rodas e encontros funcionam como espaços de escuta e troca intergeracional, contribuindo para celebração e fortalecimento das comunidades jongueiras, grupos pernaltas e para o estreitamento de vínculos entre diferentes territórios.
A segunda edição também marca a continuidade do projeto para além dos dois dias de festival. A partir de 2027, estão previstas novas ações formativas e oficinas em diferentes territórios, dando sequência ao processo de intercâmbio e capacitação iniciado pelo projeto. A programação de 2027 ainda será divulgada pela organização no perfil da Fábrica de Gigantes.
Cultura viva e protagonismo comunitário
A estrutura do projeto busca garantir condições efetivas de participação e permanência dos grupos convidados. Entre as ações previstas estão transporte para as comunidades participantes, alimentação, hospedagem e tradução simultânea em Libras, respeitando as características e os desafios de acesso dos territórios envolvidos.
Mais do que uma programação artística, o Festival Quilombo Cultural se estrutura como um espaço de articulação cultural, memória e fortalecimento comunitário. A iniciativa afirma o protagonismo das comunidades quilombolas e caiçaras na construção e transmissão de sua própria cultura e reconhece os mestres e mestras como guardiões da memória e da resistência quilombola e caiçara.
Ao reunir comunidades do Vale do Café, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro e Marambaia, o festival busca fortalecer uma rede de intercâmbio entre territórios e contribuir para a continuidade dos modos de vida e dos saberes ancestrais.
Realizado pela Fábrica de Gigantes, o Festival Quilombo Cultural chega à sua segunda edição consolidando a cultura como ferramenta de pertencimento, memória, articulação territorial e continuidade — com a Ilha da Marambaia como ponto de encontro entre diferentes histórias, comunidades e gerações.
SERVIÇO:
Festival Quilombo Cultural — 2ª edição
Datas: 31 de outubro e 1º de novembro de 2026
Local: Ilha da Marambaia — Mangaratiba, RJ
Programação: oficinas formativas e atividades culturais gratuitas
Público estimado: 600 pessoas
Participantes: cerca de 300 integrantes de comunidades quilombolas, caiçaras e tradicionais
Continuidade: novas oficinas e ações formativas estão previstas para 2027, com programação ainda em definição.
Informações e programação completa: Fábrica de Gigantes —@fabricadegigantes_
(Crédito: Moscow)
