“Lipedema não é gordura”: médico alerta para doença que afeta milhões de mulheres e ainda é pouco diagnosticada
Condição crônica e progressiva, frequentemente confundida com obesidade ou celulite, o lipedema causa dor, inchaço e impacto na qualidade de vida — e exige olhar clínico especializado para diagnóstico correto.
O lipedema ainda é uma das condições mais negligenciadas da saúde feminina, apesar de afetar milhões de mulheres em todo o mundo. Muitas pacientes passam anos tentando tratar o que acreditam ser gordura localizada ou até mesmo falta de disciplina com o próprio corpo, quando, na verdade, convivem com uma doença crônica que exige diagnóstico e abordagem específicos.
Especialista no tratamento de lipedema e celulite, o médico Dr. Cleugo Porto chama atenção para o fato de que a condição segue amplamente subdiagnosticada, inclusive entre profissionais de saúde. “O lipedema não é gordura comum. Existe uma característica clínica muito clara, mas ainda pouco reconhecida. Muitas mulheres sofrem sem saber exatamente o que têm”, explica.
Estima-se que até 12% da população feminina adulta brasileira — o equivalente a cerca de 8,8 milhões de mulheres — possam apresentar sinais compatíveis com a doença. Ainda assim, o desconhecimento sobre o tema faz com que grande parte dessas pacientes não receba o diagnóstico correto, prolongando o sofrimento físico e emocional.
Diferente da gordura comum, o lipedema se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nos membros inferiores e, em alguns casos, também nos braços. Esse acúmulo não responde a dietas ou exercícios tradicionais e vem acompanhado de sintomas como dor à palpação, sensação constante de peso, facilidade para hematomas e, em estágios mais avançados, limitação funcional.
Além dos impactos físicos, o lipedema também afeta profundamente a autoestima e a relação da mulher com o próprio corpo. Muitas pacientes relatam frustração por não conseguirem resultados mesmo com esforços intensos, o que pode gerar sentimentos de culpa, inadequação e desgaste emocional.
“O primeiro passo é entender que não se trata de uma questão estética. É uma doença que precisa ser reconhecida e tratada com seriedade. Quando há diagnóstico correto, conseguimos oferecer caminhos que melhoram significativamente a qualidade de vida dessas mulheres”, afirma o Dr. Cleugo Porto.
O alerta do especialista reforça a importância da informação e do olhar atento para uma condição que, apesar de comum, ainda permanece invisível para grande parte da sociedade — e até mesmo da medicina.
(Foto: Divulgação/Assessoria)
