BANANAL realiza segunda edição gratuita do Festival A FUNDA
Evento, no dia 16/05, ocupa a rua com música, gastronomia e debate público em meio às transformações urbanas da região
O BANANAL, espaço cultural e ateliê coletivo, realiza no dia 16 de maio a segunda edição do Festival A FUNDA, iniciativa que propõe a ocupação do espaço público por meio de arte, cultura e convivência comunitária. Gratuito, o evento acontece na Rua Lavradio e reúne programação musical, feira criativa, iniciativas gastronômicas e rodas de conversa.
O projeto se estrutura como uma plataforma de reflexão sobre as transformações urbanas em curso na região central de São Paulo. Nesta edição, o A FUNDA coloca em pauta temas como gentrificação, direito à moradia e o papel da cultura nos processos de valorização e disputa do território.
“A Barra Funda sempre foi um território historicamente importante em manifestações culturais, desde as primeiras articulações do samba até diferentes movimentos culturais e artísticos que atravessam a região hoje”, destaca Clarissa Ximenes, fundadora do Bananal. “O festival nasce, então, dessa vontade de se aprofundar nas realidades do território e pautá-las para o público”, completa.
Criado em 2023, a iniciativa dá continuidade a uma articulação iniciada durante o movimento Bares pela Democracia, em 2022, que reuniu espaços culturais, bares e coletivos da região em ações conjuntas que combinavam cultura e mobilização política. Desde então, o A FUNDA se consolidou como um espaço de encontro entre produção artística independente e debate público.
A segunda edição acontece em um momento de retomada do próprio BANANAL, que, após um período de reestruturação interna, busca reafirmar sua presença no circuito cultural da Barra Funda e do centro da cidade.
“A força dessa edição vem da vontade de voltar a ocupar a rua e marcar esse espaço dentro do circuito independente”.
Ao longo do dia, o festival propõe diferentes formas de ocupação. A programação tem início às 15h com um almoço comunitário em mesa coletiva, seguido por um bate-papo aberto ao público com o tema “Arte x Gentrificação: Cultura, território e especulação imobiliária”, reunindo agentes culturais e urbanistas para discutir os impactos da especulação imobiliária e as dinâmicas de exclusão no centro expandido.
A partir do fim da tarde, a música assume a rua com uma programação que transita por diferentes sonoridades e territórios. Entre os destaques está o show da banda Mano Unica, grupo que investiga as conexões entre os ritmos latino-americanos, além da jam session ¡MASSA!, que reúne artistas independentes em um encontro colaborativo e aberto.
O festival também articula uma rede de iniciativas gastronômicas da região, conectando bares e cozinhas locais que integram a cena cultural da Barra Funda e Santa Cecília.
“Quando chegamos na Barra Funda, durante a pandemia, observamos um movimento de esvaziamento do bairro devido à crise sanitária. De lá pra cá, vimos surgir uma nova onda de investimentos e uma narrativa de ‘novo polo cultural’. Mas esse território sempre foi culturalmente potente. O que existe agora é uma disputa sobre quem pode permanecer e ocupar esse espaço”.
Nesse contexto, o festival – realizado com apoio do Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) do Ministério da Cultura e Governo Federal – busca promover a visibilidade de iniciativas locais e debates sobre permanência, pertencimento e acesso à cidade.
SERVIÇO
Festival A FUNDA – 2ª edição
Data: sábado, 16 de maio de 2026
Horário: 15h às 22h
Local: Rua Lavradio, 237 – Barra Funda, São Paulo
Entrada: gratuita
Contribuição sugerida: R$ 10 ou doação de alimentos não perecíveis
SOBRE O BANANAL
Criado em 2021 por Clarissa Ximenes, curadora da Pinacoteca de São Paulo, e Isabela Ximenes ao lado de uma rede de artistas fundadores, o BANANAL se consolidou ao longo dos últimos anos como um dos espaços independentes de articulação cultural na cidade. Operando de forma coletiva, o projeto já realizou dezenas de exposições, apresentações musicais, oficinas, festivais e ações públicas.
Reconhecido como ponto de cultura, o espaço atua como plataforma de encontro entre diferentes agentes culturais, conectando produção artística, território e comunidade.
