Dor insuportável e pouco conhecida: especialista alerta para a importância do diagnóstico da cefaleia em salvas
Condição neurológica é frequentemente confundida com enxaqueca e pode comprometer severamente a qualidade de vida dos pacientes
Descrita como uma das dores mais intensas da medicina, a cefaleia em salvas — popularmente chamada de forma equivocada de “enxaqueca em salvas” — é uma doença neurológica rara, mas altamente incapacitante. Caracterizada por crises de dor intensa, geralmente ao redor de um dos olhos, a condição pode ocorrer várias vezes ao dia e comprometer significativamente a rotina e a saúde mental dos pacientes.
Segundo o neurocirurgião e especialista em dor Dr. Franklin Reis, a doença ainda é pouco conhecida pela população e, muitas vezes, também é subdiagnosticada.
“A cefaleia em salvas possui características muito específicas e difere da enxaqueca comum. O paciente apresenta uma dor extremamente intensa, unilateral, acompanhada de lacrimejamento, congestão nasal, vermelhidão nos olhos e grande inquietação durante as crises. O diagnóstico correto é fundamental para que o tratamento seja iniciado o quanto antes”, explica.
As crises costumam surgir em períodos chamados de “salvas”, que podem durar semanas ou meses. Cada episódio tem duração entre 15 minutos e três horas e pode se repetir diversas vezes ao longo do dia, frequentemente nos mesmos horários.
Embora seja considerada uma doença rara, a cefaleia em salvas acomete principalmente adultos entre 20 e 50 anos. Durante os períodos ativos da doença, fatores como o consumo de bebidas alcoólicas podem desencadear novas crises.
De acordo com o especialista, atualmente existem tratamentos eficazes para controlar as crises e reduzir sua frequência, incluindo medicamentos específicos, bloqueios intervencionistas, neuromodulação em casos selecionados e oxigenoterapia.
“Hoje dispomos de diversas estratégias terapêuticas que podem proporcionar um controle significativo da doença. O mais importante é que o paciente procure um especialista em dor ou neurologia para receber um diagnóstico preciso e um tratamento individualizado”, destaca Dr. Franklin Reis.
Além do tratamento adequado, o acompanhamento médico permite identificar fatores desencadeantes, prevenir novas crises e devolver qualidade de vida aos pacientes que convivem com uma das síndromes dolorosas mais incapacitantes da neurologia.
Sobre o Dr. Franklin Reis
Dr. Franklin Reis é neurocirurgião e especialista em Dor pela Universidade de São Paulo (USP). Possui título internacional em Intervenção em Dor pela World Institute of Pain (WIP) e é Fellow of Interventional Pain Practice (FIPP), certificação obtida em Orlando (EUA). É autor de livros e de diversos artigos científicos publicados em revistas especializadas, além de palestrante em congressos nacionais e internacionais.
Atualmente, é coordenador do Comitê de Dor Neuropática da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) no biênio 2024–2025 e coordenador do Comitê de Síndrome Dolorosa Complexa Regional da SBED para o biênio 2026–2027, atuando na promoção da atualização científica e do avanço das práticas voltadas ao tratamento da dor.
(Foto: Reprodução do Instagram)
