Júlia Sanchez e Malka unem intimidade e música eletrônica em novo single “Me Leva”
Do encontro entre a sensibilidade das composições de Júlia Sanchez e a identidade eletrônica da produtora e DJ Malka nasceu “Me Leva”, single que chega ao público no dia 23 de setembro acompanhado de um registro audiovisual. Construída a partir do contraste entre vocais intimistas, sintetizadores e programações eletrônicas, a parceria conduz Júlia a um novo território sonoro enquanto explora o afeto como uma possibilidade de escapar, ainda que por instantes, da realidade cotidiana. Em entrevista, as artistas falam sobre a conexão que começou pelas redes sociais, a troca criativa durante a produção e como a experimentação com diferentes linguagens abriu novos caminhos para suas músicas.
“Me Leva” nasce do encontro entre sua escrita intimista e emotiva e a assinatura eletrônica da Malka. Em que momento você percebeu que essa parceria poderia abrir um caminho sonoro diferente dentro da sua trajetória?
Uma das minhas características mais fortes é a pluralidade e através dela, a criação do novo. Isso é motivado principalmente pela vontade de aprender com as pessoas que eu trabalho artisticamente, crescer a partir do contato com elas e a admiração também é algo que preciso ter pra me conectar. Por conta disso, a parceria com a Malka é tão importante, abrindo um caminho sonoro diferente dentro da minha trajetória mas que sempre consumi e admirei que é a música eletrônica mas também na importância da convivência e da troca que tivemos durante o processo de construção da faixa.
A colaboração começou por um convite direto nas redes sociais, quase como um encontro espontâneo entre universos artísticos. Como foi perceber que uma troca nascida no digital poderia ganhar tanta densidade musical?
Quando a Malka entrou em contato comigo através das redes sociais pra gente colaborar em uma faixa com composição minha, fiquei muito emocionada. Admiro o trabalho dela há anos, principalmente em relação a suas parcerias com Katy da Voz e as Abusadas, Tulipa Ruiz, Céu, BADSISTA e Zopelar.
Pra nossa colaboração, fizemos poucas e certeiras sessões de estúdio, tudo muito objetivo porque já nos entendemos musicalmente muito rápido. Por conta dessa combinação ter dado certo logo de cara, senti já em estúdio que o resultado final ficaria bem especial, fluido.

Você comenta que se sente uma artista melhor depois desse encontro com a Malka. O que essa experiência te ensinou sobre sair da zona de conforto e permitir que outra pessoa transforme sua composição?
Sair da zona de conforto e ir para a zona de confronto é a única maneira de desenvolver o novo. Confronto no sentido da fusão de diferentes sonoridades, o que resulta disso. Tendo a ser muito controladora do processo porém, com a Malka, confiei bastante. É uma questão de feeling também, de intuição. Música é matemática e construção de vibe, de sensação. Contraditória e complementar.
A faixa mistura instrumentos orgânicos, vocais sensíveis, sintetizadores e programações eletrônicas em uma atmosfera indie pop moderna. Como vocês encontraram o equilíbrio entre vulnerabilidade e pista, intimidade e expansão?
“Me Leva” desde o começo já trazia essa vibe de intimidade indie pop, mesmo que sutilmente só através da demo, acredito que por conta do flow da composição. A Malka é incrível em relação a criação de vibe, afinal de contas, é sobre isso que a pista se trata. Seu desenvolvimento dos próprios plugins também traz ainda mais originalidade pra criação como um todo. Então, acredito que sua sensibilidade fez com que a produção da música respeitasse o que ela já trazia e expandisse isso, sem perder a essência.

Liricamente, “Me Leva” fala do afeto como um portal de evasão e presença, quando duas pessoas conseguem suspender o peso do cotidiano. Que tipo de sentimento você queria capturar nessa ideia de ser levada para outra realidade?
Escrevi essa música pra uma pessoa que me fazia sentir assim quando estávamos juntas numa época em que eu estava numa correria entre turnês pelo Brasil e gravando o álbum da minha antiga banda, Varal Estrela. Depois dos dias corridos, saber que aquela pessoa estaria ali, que seria um lugar de paz diante de tudo, era muito especial. Quis capturar esse sentimento nessa música.
A música parece construir uma sensação de suspensão logo nos primeiros acordes. Como você imagina o ouvinte entrando nesse universo: como quem dança, como quem sonha ou como quem foge um pouco do mundo?
Uma das coisas mais interessantes da arte em geral é a interpretação de cada um e a forma particular em consumir aquilo. Por isso, imagino que seja um momento de encontrar um escape diante dessa velocidade toda que a gente vive, mas fica a critério e sensibilidade de cada um como a música vai impactar.
O audiovisual aposta em sensualidade urbana, tons fechados e elementos fluidos, com direção criativa sua ao lado de Neto Vilar. Como foi transformar visualmente essa ideia de desejo, movimento e atmosfera alternativa?
Tudo aconteceu muito rápido, como sempre. Tive ideias em relação a direção criativa e logo passei pro Neto Vilar pra gente desenvolver junto como seria. Conheci ele por causa da peça “Tatuagem” que fiz em 2022 e que contava com uma troca muito intensa entre artistas em suas festas depois desse espetáculo que movimentou muito a cena cultural do centro de São Paulo pós pandemia. Conheci o Neto nesse contexto.
Pra esse trabalho, o ponto principal pra construção desse universo foi pensar em texturas que contrastavam, o fluido, o mais rígido, o orgânico, pra localizar a vibe da música dentro do visual. As duas coisas sempre andam juntas e convergem. Pra isso, além do Neto, o styling da Maria Fernanda, que sempre trabalha comigo e a maquiagem da Melissa Meneses foram essenciais pra que o todo pudesse funcionar visualmente. A preocupação com as redes sociais também existiu, em relação aos enquadramentos e formas de se filmar.
A presença de Débora Silva na direção de movimento adiciona uma camada corporal ao projeto. Que papel o corpo ocupa em “Me Leva”, tanto na música quanto na imagem?
Tenho um treinamento corporal com a Débora há anos, somos amigas faz tempo e admiramos muito o trabalho e a trajetória uma da outra. Como também sou atriz, entendo a importância da câmera pro físico e pra construção da vibe. Juntando esses conhecimentos, acredito que o trabalho com ela pra “Me Leva” foi essencial pro resultado final. No set, existe uma dança entre a câmera (Neto) e o movimento (Débora) e os dois se comunicaram super bem, fazendo com que o resultado ficasse incrível. Acredito que a grande característica de uma artista não é pensar que se pode fazer tudo sozinha mas sim, saber formar equipes e fechar parcerias.
Acompanhe Júlia Sanchez no Instagram
(Crédito: Neto Vilar)
