Liberdade para ser você
Medo do julgamento e busca constante por aprovação podem limitar escolhas profissionais, afetivas e pessoais
Escolher uma profissão para agradar à família, esconder uma opinião para evitar críticas ou aceitar compromissos por receio de decepcionar. Em situações cotidianas, a vontade de ser aceito pode ocupar o lugar dos próprios desejos. O dia 9 de novembro, reconhecido em proclamações dos Estados Unidos como Dia Mundial da Liberdade em referência à queda do Muro de Berlim, inspira uma reflexão também no âmbito pessoal: até que ponto nossas decisões refletem quem somos ou o que os outros esperam de nós?
Para Renê Skaraboto, neurocientista e hipnoterapeuta do Instituto e Clínica Hipnose para Todos, em Curitiba, considerar a opinião alheia faz parte da convivência. A dificuldade surge quando a aprovação se torna condição para qualquer escolha. “O problema não é ouvir as pessoas. É deixar de ouvir a si mesmo porque a possibilidade de desagradar parece insuportável. Quando toda decisão precisa receber autorização emocional de alguém, a própria vontade vai perdendo espaço”, afirma.

Esse comportamento pode aparecer de maneira discreta, como pedir desculpas por discordar, justificar excessivamente uma decisão ou dizer “sim” quando se gostaria de recusar. Isoladamente, essas atitudes não indicam um transtorno. Entretanto, quando o medo de avaliação negativa é intenso, persistente e prejudica o trabalho, os relacionamentos ou outras atividades, merece avaliação profissional. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos aponta esse prejuízo à vida cotidiana como um dos elementos importantes na investigação da ansiedade social.
A reflexão sobre autenticidade também exige distinguir escolhas negociadas de renúncias constantes. Adaptar planos, respeitar acordos e considerar necessidades de outras pessoas são partes das relações. O sinal de atenção está em não conseguir reconhecer ou expressar as próprias preferências. “Vale se perguntar: eu escolheria isso se ninguém fosse me elogiar ou criticar? A resposta pode ajudar a perceber se existe um desejo pessoal ou uma tentativa de evitar a desaprovação”, sugere Renê.
Ser autêntico, por outro lado, não significa falar tudo sem cuidado ou ignorar as consequências das próprias atitudes. A liberdade de expressão pessoal envolve responsabilidade, respeito e disposição para conviver com diferenças. “Você pode sustentar uma escolha sem desrespeitar ninguém. Também pode rever uma opinião sem deixar de ser quem é. Autenticidade não exige rigidez, exige honestidade sobre seus valores, suas necessidades e seus limites”, explica.
Um primeiro passo é observar em quais situações a vontade de agradar se sobrepõe ao próprio limite. Pedir tempo antes de aceitar um convite, expressar uma preferência em uma conversa e comunicar uma recusa com respeito são exemplos de atitudes que podem ser experimentadas no cotidiano. Esse processo precisa considerar as condições concretas de cada pessoa, inclusive relações de dependência financeira, ambientes de trabalho e situações em que discordar possa trazer riscos.
Quando o receio de rejeição provoca sofrimento frequente ou impede atividades importantes, buscar um profissional de saúde mental pode ajudar a compreender o que está acontecendo e avaliar os cuidados adequados. A proposta, segundo Renê, é ampliar a possibilidade de escolha. “Liberdade para ser quem você é não significa viver sem vínculos. Significa construir relações nas quais você também possa existir, com voz, preferências e limites, sem precisar se apagar para pertencer”, conclui.
Serviço: Instituto e Clínica Hipnose para Todos
Renê Skaraboto
Neurocientista e hipnoterapeuta
(41) 99692-9774
@hipnose_para_todos
http://www.clinicahipnoseparatodos.com.br
Rua Desembargador Westphalen, 15, sala 604, 6º andar, Edifício Dante Aliguieri, Centro, Curitiba/PR
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