Seminário do Cavalo encerra programação com troca de conhecimento sobre saúde, esporte, manejo e bem-estar equino
Evento reuniu especialistas, profissionais e estudantes em dois dias de debates, painéis e oficinas práticas voltados ao desenvolvimento da equinocultura no Distrito Federal
O Seminário do Cavalo encerrou sua programação no Parque Granja do Torto, em Brasília, após dois dias de troca de conhecimento entre especialistas, profissionais, estudantes e pessoas ligadas à equinocultura. A programação reuniu discussões sobre bem-estar animal, biomecânica, manejo, nutrição, treinamento, saúde esportiva e gestão, além de oficinas práticas.
No segundo dia, a programação concentrou debates em nutrição, treinamento e saúde esportiva, com painéis dedicados à alimentação para saúde e performance, treinamento baseado em evidências e medicina esportiva e longevidade dos equinos atletas. O público também participou de oficinas práticas sobre casqueamento, doma, marcha e morfologia do Mangalarga Marchador, caracterizações raciais, horsemanship e volteio na equoterapia.
Saúde e longevidade dos cavalos
Entre os participantes do Painel 6, “Medicina Esportiva e Longevidade dos Equinos Atletas”, esteve o médico-veterinário e docente no ICESP Luis Fernando Castilho. Durante sua participação, ele apresentou a iridologia como uma proposta de pesquisa em desenvolvimento e destacou a interação com o público e o interesse despertado pelo tema.
“Foi uma experiência muito gratificante. Tivemos palestras muito ricas e um público que participou ativamente, com muitas perguntas. Depois da apresentação, alguns colegas também nos procuraram e fizeram contato, interessados na iridologia. Isso foi muito gratificante”, destacou Castilho.

O médico-veterinário também ressaltou a realização do encontro em uma data simbólica para a categoria. “Em um dia especial, que foi o Dia do Médico-Veterinário, ter um evento como esse foi muito significativo. Espero que tenhamos outros encontros dessa natureza”, completou.
Nutrição como base para o desempenho
A médica-veterinária militar Mariana Bonow participou do Painel 4, “Nutrição de Equinos: Alimentação para Saúde e Performance”. Em sua apresentação, com foco na nutrição aplicada ao treinamento de cavalos atletas, ela destacou quatro pilares fundamentais para o desenvolvimento e o desempenho dos animais: genética, alimentação, treinamento e manejo.
“Genética, alimentação, treinamento e manejo são quatro pilares de extrema importância e precisam estar alinhados na criação de cavalos atletas. Quando estão em sintonia, o animal consegue expressar seu potencial genético e alcançar bons resultados nas provas”, explicou Mariana.
A especialista também abordou a quantidade adequada de matéria seca, as principais matérias-primas utilizadas na alimentação e a importância dos cuidados nutricionais desde as primeiras fases da vida do animal.
“A nutrição de um cavalo atleta começa desde o nascimento e, na verdade, até antes disso. Ainda durante a gestação, existem cuidados que podem contribuir para que esse animal tenha melhores resultados no futuro. A nutrição equina é uma das bases para o desempenho dos cavalos atletas”, acrescentou.
Formação e conhecimento no esporte equestre
Especialista em ensino da equitação desde 2002, Luiza Khodr integrou o Painel 5, “Esporte Equestre: Treinamento baseado em evidências”. Ela abordou a importância da construção de uma base sólida no ensino da equitação e defendeu que as escolas da área adotem metodologias estruturadas de aprendizagem.
“A base é a porta de entrada para todos os esportes equestres. Uma escola de equitação precisa ser vista e gerida como uma empresa sólida e ter um plano metodológico para o ensino. Quanto mais conhecimento as pessoas têm, mais qualidade de vida conseguimos proporcionar aos cavalos”, afirmou Luiza.
Durante a apresentação, ela trabalhou cinco pilares: conhecimento sobre o cavalo e a cultura equestre; posição a cavalo; firmeza e equilíbrio; comandos de controle e condução; e a modalidade esportiva. Para a especialista, compreender o comportamento do animal deve anteceder o avanço técnico dentro do esporte.
“Precisamos entender como o cavalo funciona, como pensa, quais são seus instintos e comportamentos e como nos comunicar com ele. As pessoas que estão entrando agora nesse universo são o futuro do mundo do cavalo”, destacou.
Oficinas aproximam teoria e prática
A programação também abriu espaço para atividades práticas. Na Oficina 01, dedicada ao casqueamento, Filipe Seabra, instrutor de ferrageamento e casqueamento do Senar-DF, apresentou aspectos da anatomia do casco, estruturas internas e externas, tendões, ligamentos e ossos, além da relação entre um casqueamento adequado, o desempenho esportivo e a prevenção de lesões ortopédicas.
“O casco é a base de tudo. Precisamos ter um casco bem equilibrado e saudável para que o cavalo tenha conforto, qualidade de vida e uma boa carreira esportiva. O casqueamento pode parecer algo simples, mas é muito complexo e exige conhecimento”, explicou Seabra.
Segundo o instrutor, os participantes também aprenderam a observar desvios de aprumos, claudicações e o alinhamento do eixo podofalangiano.
“Na oficina, trabalhamos a anatomia do casco, suas estruturas internas e externas e mostramos como um bom casqueamento e um cavalo bem equilibrado podem melhorar o desempenho esportivo e ajudar a evitar lesões ortopédicas. Também ensinamos a observar desvios de aprumos, claudicações e o alinhamento do eixo podofalangiano, sempre buscando corrigir imperfeições e preservar as estruturas para manter um casco forte e saudável”, acrescentou.
Já Marcos Horta ministrou a atividade de doma, correspondente à Oficina 02 da programação. Com foco na doma racional, ele abordou a compreensão dos instintos, do comportamento e da linguagem corporal do cavalo como ferramentas para estabelecer uma relação mais segura e voltada ao bem-estar animal.
“A doma racional parte do conhecimento sobre o instinto do cavalo, de como ele reage às diferentes situações e, principalmente, de como nós devemos nos comportar diante dele para construir uma boa relação. É preciso aprender a linguagem corporal do cavalo, saber fazer essa leitura e também se comunicar de uma maneira que ele consiga nos entender”, explicou Horta.
Para ele, esse conhecimento deve alcançar todos que mantêm contato cotidiano com os animais. “Esse conhecimento não é importante apenas para estudantes, mas para qualquer pessoa que esteja no dia a dia com o cavalo. Seja quem maneja, monta, cuida ou trabalha como veterinário, é fundamental conhecer o instinto do animal e saber se posicionar de forma segura, sempre pensando no bem-estar do cavalo e também de quem está com ele”, acrescentou.
Balanço do Seminário
Para a organizadora do Seminário do Cavalo, Lydia Costa, a diversidade dos temas e a participação do público reforçaram a importância de criar espaços de integração entre diferentes segmentos da equinocultura.

“Encerramos esta edição com a certeza de que o Seminário do Cavalo cumpriu seu propósito de aproximar diferentes profissionais e promover a troca de conhecimento em torno da equinocultura. Foram dois dias de muito aprendizado, com discussões que passaram pelo bem-estar animal, manejo, nutrição, treinamento, saúde, esporte e gestão. Mais do que reunir especialistas, conseguimos criar um espaço de diálogo entre quem pesquisa, quem trabalha diariamente com os cavalos e quem está começando nesse universo. A participação do público e a qualidade das discussões mostram que existe espaço para fortalecermos ainda mais esse encontro e construirmos novas edições”, afirmou Lydia Costa.
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